Capa do álbum Lillywhite Sessions

As aclamadas faixas da Dave Matthews Band produzidas por Steve Lillywhite – que foram arquivadas, favorecendo as canções produzidas por Glen Ballard em Everyday – acabaram caindo na internet. O assunto ainda está cercado de controvérsias, mas as faixas de “Lillywhite Sessions” – como o CD não-terminado foi chamado pelos fãs – contém as músicas que os fãs conheceram e curtiram durante a turnê do verão americano de 2000, e esperavam ouvi-las no próximo álbum de estúdio da banda. No entanto, todas as músicas foram deixadas de lado e a banda foi à Califórnia para gravação das novas músicas para o CD que se tornou o Everyday.

Apesar dos comentários feitos de última hora pelo próprio Dave Matthews (que as letras das músicas arquivadas eram depressivas e o colocavam em um "lugar escuro"), os fãs ficaram muito decepcionados com o fato das músicas serem jogadas em uma prateleira. Tudo isso mudou dia 28/03/2001, quando as músicas do álbum que não foi lançado chegaram a um software de troca de músicas, o Napster. As músicas foram codificadas para MP3 (96 kbps e posteriormente remasterizadas por algum fã para 128 kbps) a partir de uma cópia da gravação original, que um dos integrantes da banda teria emprestado à alguém.

Os fãs podem até ficar felizes em ouvir as músicas que achavam que nunca apareceriam, mas o vazamento só aumentou a controvérsia em torno da situação. Enquanto a banda aprovava o primeiro single deles, I Did It, pra ser lançado (do Everyday), ninguém da banda, nem os empresários da banda ou a RCA aprovaram a liberação das canções de Lillywhite Sessions no Napster. Além disso os fãs mais prudentes da banda acabam se perguntando se é justo baixar as músicas, assim como um fã fez num artigo on-line sobre a controvérsia:

“...é material que banda não queria que a gente escutasse, e eu me sinto meio mal pensando o quanto nós somos 'gulosos' em tentar baixar as canções.”

O som de Lillywhite Sessions é mais característico da banda, mais cru, diferente das músicas de Everyday, que são pop-comercial super-produzidas. Mesmo com seu clima mais depressivo, o álbum vazado conquistou fãs e foi considerado pela vasta maioria como sendo bem melhor que o CD lançado oficialmente.

Boatos “de fontes confiáveis” diziam que o CD Lillywhite Sessions seria terminado e lançado oficialmente antes do Natal de 2001, nos Estados Unidos.

Demorou mais do que o esperado, mas em 2002 foi lançado o Busted Stuff, álbum oficial que contem 9 das 12 músicas originalmente gravadas para o Lillywhite Sessions. É o mais perto que os fãs conseguirão chegar à uma versão oficial do álbum que vazou. Além disso, o novo CD é muito bom – por muitos considerado como sendo melhor que seu antecessor fatídico.

Detalhes

Artista:
Dave Matthews Band
Classificação:
Estúdio
Produção:
Lançamento:
15/03/2001

A capa vista acima foi desenvolvida por Ari Kounavis.

As músicas podem ser encontradas pela internet.

Chris Willman entrevistou a banda para o site EW.com e constatou que a opinião dos membros da banda não convergem. Abaixo segue a tradução da entrevista:

Chris Willman (CW): Por que a banda desistiu do álbum?

Dave Matthews (DM): Havia muita decepção vindo da gravadora e dos empresários. E o sentimento que eu estava tendo na banda é tipo, "Cara, isso é bem triste". Tinha uma vibração vinda de todos os envolvidos que dizia "é bom, mas..." E eu já estava me sentindo - obviamente, pelo conteúdo - triste, e percebi que se não é o que todos querem... Mesmo assim, eu acho que são algumas das melhores canções que já escrevi.

Carter Beauford (CB): Primeiramente, eu não vi as letras dele como sendo necessariamente tristes, simplesmente porque eu não estava prestando tanta atenção! [Risos] Porque nos estávamos concentrando tanto na música. Falando em termos de música, não estava soando ou fluindo do jeito que a Dave Matthews Band normalmente flui. Nos primeiros três meses, só tínhamos uma ou duas músicas. Coisas que normalmente vinha tão naturalmente pra nós havia se tornado a maior tarefa da Terra. Nós odiávamos ir ao estúdio. A única hora que todos ficavam excitados era quando íamos comer. Molly, nossa cozinheira, é maravilhosa, e foi a cola que segurou a toda essa coisa junto. Se ela não estivesse lá, ninguém teria aparecido! [Risos] Estávamos desesperados e precisávamos achar uma saída dessa rotina musical. E não tinha nada a ver com Steve [Lillywhite]. Era triste, e amedrontador. Finalmente eu falei, 'Isso não vai rolar'. Agora quando escutamos as canções, tudo soa ótimo, e as idéias estavam lá, mas era a hora errado pra isso.

CW: Como o álbum vazou?

CB: Eu não tenho idéia. Bom, eu tenho uma idéia mas não posso dizer. [Risos] É, eu ouvi a teoria de Steve Lillywhite. [Lillywhite recentemente divulgou uma declaração dizendo que ele não aprovava o vazamento mas estava tremendamente orgulhoso do material.] Eu não posso dizer, porque se eu dissesse alguma coisa, as pessoas diriam, "Bem, o Carter falou que deve ser..."

DM: Eu fiquei surpreso, porque eu não sabia como [as fitas tinham vazado], e ainda não sei como, e não quero dar um palpite. Eu não quero pensar no assunto e perder tempo arrumando uma opinião da qual não posso ter certeza.

CW: Como foi sua reação ao vazamento?

Boyd Tinsley (BT): Eu gostaria que as canções estivessem prontas antes delas estarem nas mãos do público; isso é que foi chato. Eventualmente teríamos voltado e terminado gravando esse material. Talvez ainda façamos isso. Pelo que tenho escutado, pessoas que ouviram curtiram, então isso é legal, mas provavelmente seriam bem melhores se estivessem terminadas.

Stefan Lessard (SL): Seria bom se pudéssemos manter algumas delas um pouco mais secretas, mas o que se pode fazer? Eu não me importo muito, pois nós não fizemos nada com elas após o fato. Não estavam em lugar algum de nossos planos para serem lançadas, então não teríamos feito dinheiro algum delas de qualquer jeito.

CB: Quando soltaram essas fitas, eu fiquei muito furioso. Era uma parte de nós que não estava pronta pra ser ouvida. Estávamos criando algo, não havíamos terminado, e isso é o que fazemos pra viver, e alguém simplesmente veio e tomou elas. É mais duro para os fãs de verdade, pois nos dá vontade de nos fechar um pouco mais e não dar tanto, porque algum imbecil que quer ser o herói por ele ou ela ter colocado umas coisas na Internet e quer 15 minutos de fama. É chato. Se algum dia lançarmos essas gravações, todo o elemento surpresa já era.

DM: Foi um pouco frustrante. Mas o que está feito está feito. A coisa estava encaminhada pra ser terminada. Várias canções estavam prontas. O quadro estava pintado, então minha parte nele estava feita, essencialmente. Se elas fossem quadros e todas as galerias para as quais eu as levasse dissesse, "Não, nós não podemos usar isso," os quadros continuariam a ser quadros, e a satisfação de tê-los pintado ainda estaria completa. E então, claro, vou voltar e fazer dois quadros de crianças alegres com palhaços.

CW: O material é mesmo tão bom?

DM: Eu nunca vou pensar nelas como sendo piores do que as melhores coisas que eu já fiz. Em termos de letras, vieram direto do coração. Eu acho que uma das coisas que a indústria da música - que é uma piranha de muitas maneiras - acharia ruim é que é um álbum bem introspectivo, bem parado, e a indústria é muito impaciente com coisas como essa hoje em dia... Em termos das letras há varias coisas inacabadas, muita coisa incoerente só pra encher o ar, que eu acho legal de certo modo. Tem algumas das melhores letras que já escrevi lá também. Eu acho que Bartender é uma das melhores canções que já escrevi, sem dúvida.

CW: O que aconteceu com o material... oficialmente?

CW: Poderia acabar em um negócio ao vivo. Poderia seguir o outro caminho, virar um negócio de estúdio, nunca se sabe. Podemos nem lançar o álbum até daqui a 20 anos, quem sabe.

DM: Seria legal, quando conseguirmos fortalecer aquelas canções, lançar cinco, seis, ou sete delas em um álbum ao vivo. Canções OFICIALMENTE não-lançadas. [Sorriso] Eu acho que elas deveriam ser balanceadas [com outro material] porque se fossemos tocar as 10 músicas que fizemos para o álbum, seria um conjunto triste. Não que isso seja um problema. Mas eu gosto de bater meu pé de vez em quando. O impacto de uma música triste, se você puder por o espaço certo em sua volta, é talvez de alguma maneira um pouco mais forte se for enquadrada por alguma coisa um pouco mais sonhadora ou um pouco otimista.

CW: Qual é melhor - Lillywhite Sessions ou Everyday?

SL: É o rascunho do rascunho do rascunho das mixagens, então quem poderia dizer como o produto final teria soado? De longe, sou um grande fã de Everyday. Mesmo que os sons são diferentes do que as pessoas estão acostumadas a escutar nas turnês, ao mesmo tempo, eu acho que a bateria e o baixo soam como é escutado nas turnês. A seção de ritmo de Everyday é mesmo apertada, limpa, e clara, e eu não senti isso em vários de nossos álbuns anteriores.

DM: O fato de que pessoas estão discutindo e brigando uns contra os outros é ótimo, porque eu fiz os dois. "Esse aí é bem melhor que esse aqui - que porra você estava pensando?" Bem, eu criei os dois deles - nós criamos os dois deles - então obrigado por pelo menos ter uma conversa sobre eles. Eu adoro os dois álbuns; é só que um deles foi recebido com mais antecipação.

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